RedeGN - SALVE A POESIA!“De poeta e louco, todos nós temos um pouco!” Jornal de Juazeiro, 17 de março de 1992 (18 Anos)

SALVE A POESIA!“De poeta e louco, todos nós temos um pouco!” Jornal de Juazeiro, 17 de março de 1992 (18 Anos)

Dia 14 de março, data de comemoração da poesia. Esquina II foi palco do cenário poético promovido com muito garbo pelo presidente da ASPIMC Associação dos Poetas, Instrumentistas, Músicos e Compositores, Jurandir Oliveira Costa. Enquanto o churrasco “gemia” na grelha, cerveja por todos os cantos, poetas se misturavam com cantores, trovadores, políticos – recebedores de Títulos Beneméritos – e, no fim se versava em poesia, aparecendo muitos valores, os reais poetas que vivem no anonimato; poesia é cultura e ASPIMC está de vento poético acima!

Convidados à vista! Muitos doidos. Interessante que todos os presentes à solenidade  passaram a ser poetas! Despontou-se o novo poeta, Novaisão, trajado de Iansã e Xangô, mostrando conhecer a vida dos poetas através do dedo polegar. “Todos com o dedo para cima! Meu pai me mostrou a ciência na Bíblia... Faço leitura através do dedo polegar!” “Esta ciência está na Bíblia?” – Indagaram os vates...! “Não sei; procurei e não a encontrei!” – Respondeu o “quiromante”. Fato é que o oráculo Novaisão, sempre acertava, quando das consultas. Os poetas se assombraram com a precisão da “divindade!” “Baixou Egum de cigana...! Sabe ler, realmente o dedo...!” “Novaisão... você é um poeta!” “É lógico! Poeta, cantor e político...! Vais ou não vais votar em Novais? Sou candidato a vereador...!” De repente desceu um Egum militar no quiromante e, com certeza era um sargentão casca grossa!

Em posição de sentido, o quiromante Novais reproduziu um boletim de quartel à época que foi soldado; um verdadeiro decoreba. “Novais, que poesia você gosta mais?” “Nós somos fortes infantes!” Franciolly, nosso compositor, jornalista, dramaturgo, etc., que no carnaval da saudade se pareceu com satanás, na visão do galego, devido às vestes do Zorro ou de vampiro e, atacado de seus faniquitos costumeiros, exclamou: “Sou poeta...! Pareço com Castro Alves...!”

Enquanto Novais só queria Marcha de Caserna, Franciolly cantava: “Pense em mim...!” De meia a meia hora ele mudava o jeito do cabelo, como  estivesse usando peruca de aluguel e, pelo seu corpo derramava perfume La Belle D’ajour, cujo frasco saia de uma sacola preta, acessório da bata do vampiro, cantando sempre: “Pense em mim e não liga pra ele...!” José Raimundo, que chegava da Rádio Juazeiro, onde trabalha, doido para receber o título de poeta, como também para beber de graça, logo logo foi interpelado por Novais: “Você tem candidato a vereador? – Repetindo essa pergunta por várias vezes...! – Como José Raimundo não respondeu, o oráculo agarrou o dedo polegar dele, o espalmou e fez a leitura: “Você é mulherento...” lembrou-se, então, da palavra imexível do Ministro Magri, “caindo os poetas” em gargalhadas!

Em seguida surgiu o fazedor de associações, Davi Lima, futuro vereador em Sobradinho e também poeta! “Sou de lá... sou de lá de Sobradinho... meu caso é com os peixes: surubim, piranha, piau, mandim, pirá, etc,  bem assim, com os meus amigos pescadores, em número de 634. “Você está no PT?” – Perguntaram a Davi, fazendo alusão ao companheiro Lula, face à barba  maçarocada! Sorridente, esperançoso pela vitória, sem pestanejar: “Sou afilhado de São Pedro, padroeiro dos pescadores e estou no Parido Social Cristão, cujo símbolo é um peixe. – A galera: “Já ganhou...! Já ganhou...!” (Deu zebra e culpou os mesários na contagem dos votos!).

A festa “comeu no centro,” poesia e poetas em todo canto! “Convido o poeta Davi para receber o seu Título!” – “Não sou poeta; sou gente de São Pedro e quero a sua proteção e não abro!”.

Lá para as tantas, todos os presente tinham o lado de doido ou de poeta ou dos dois ao mesmo tempo. Presente, o maior cantor, compositor, poeta, radialista, comentarista esportivo, etc, senhor José Raimundo. Cheio da “branquinha” e o seu “manequim” igual ao de Genival Lacerda (barrigudo), cantor nordestino e, sua cantarola começou a espantar os peixes que dormiam à beira do Chicão, quando recebeu o espírito de João Canabrava, narrando uma partida de futebol, deixando os doidos sãos e os sãos doidos!

O nosso presidente da ASPIMC -  como é ritual em Juazeiro, ninguém chega na hora das solenidades - surgindo às pressas, envergado de Caneta Parker, paletó aberto, cabelos assanhados e muito avexado, parecendo certo poeta, que, por sinal, não foi prestigiar os meninos de Castro Alves...!

A festa transcorreu a mil maravilhas, com muitos falatórios, recitações, inclusive o vereador Brandão que soltou a goela, coisa que não é do seu feitio, preferia agir como tatu, sabido e deu o seu recado; lógico, trata-se de um poeta! “Vou mostrar os meus projetos à base da poesia...! Moanilton que se cuide!” – disse Brandão, que falou sobre a cultura, faturando, assim, alguns votinhos com suas estrofes.

Como não podia deixar de ser em festa de poesias – macas apostas e enfermeiros de plantão. Os poetas são homens de cultura, inteligentes e muitos foram pegar uma soneca no Hotel Cinco Estrelas, situado no bairro Santo Antônio, onde se acalmam os nervos poéticos!

Parabéns Jurandir! Parabéns poetas de Juazeiro! Parabéns  ASPIMC.

Geraldo Dias de Andrade é Cel. PM/RR – Cronista – Bel. em Direito.

Obs: Esta crônica está inclusa na Coletânea de 200 outras, “Minha Percepções”, que será lançada brevemente.