RedeGN - O TURISMO DA ARGENTINA E O TURISMO DA BAHIA

O TURISMO DA ARGENTINA E O TURISMO DA BAHIA

Joselino  de Oliveira

Estou escrevendo esta crônica em plena Buenos Aires, depois de ter passado o “reveillon”, onde celebrei a entrada do novo ano de 2012, na famosa estação de Bariloche, no sul da Argentina. Faço esse registro para fazer uma análise do turismo que se faz aqui e o turismo, mal administrado, que se faz na Bahia.

Salvador é uma cidade que tem tudo para praticar um turismo objetivo de qualidade, como se faz aqui na Argentina. Viajei de ônibus da capital portenha, até Bariloche e esse percurso foi feito num luxuoso ônibus, com um perfeito serviço de bordo, nos moldes da extinta Varig, com refeições, onde são servidos além de refrigerantes, vinhos, whisques, coisa de fazer inveja ao transporte aéreo, praticado no Brasil. Os bares e cafés aqui instalados têm um tom de luxo, bem nos moldes das cidades européias, com móveis e um atendimento de qualidade.

Usando a ferramenta tão comum entre os economistas, faço uma perfeita análise comparativa daquilo que vi na Argentina e daquilo que é praticado na Bahia, principalmente em Salvador e na minha esburacada Juazeiro.  Em Salvador, cidade também mal administrada, vou citar a área do elevador Lacerda, rumo à Igreja da Conceição.  

O Mercado Modelo, referencial turístico da Bahia, seu aspecto estrutural é uma vergonha, para quem conhece outras cidades no exterior. Os bares do térreo, com cadeiras plásticas e um péssimo serviço, sintetizam a omissão dos nossos bem pagos políticos.

No primeiro piso, os restaurantes não possuem sequer ar condicionado. Isso numa cidade de clima bastante quente...   
Complementa o quadro de abandono, o estado deplorável dos prédios, em ruína, em direção à citada igreja. Alguns cegos, pelo ufanismo exagerado, alegam que os referidos prédios em ruína estão tombados.

Pergunto: Tombados para que? Se houvesse preocupação em restaurá-los, seria compreensivo, vez que eles fazem parte da própria historia do Brasil. Porém o que vejo são alguns prédios escorados, num verdadeiro atentado aos pedestres que circulam na área,  isso sem falar que tal prédios são verdadeiros ninhos de viciados  em tóxicos...

Na minha, também abandonada Juazeiro, cultura, turismo, entre outros setores, estão entregue a pessoas totalmente despreparadas, movidas pela crescente onda política, corrupta.

Até hoje, apesar do nosso desenvolvimento agrícola, nossos políticos ainda não descobriram o grande potencial que existe em Juazeiro para o ecoturismo.

Voltando ao aspecto de Salvador, extremamente chocante, nos deparamos com aqueles abandonados prédios, no centro da cidade e passamos a imaginar que na Europa, o chamado Velho Mundo, medindo as devidas proporções, teríamos uma Europa caindo aos pedaços. Mais não é isso que vemos na Europa, e nem tão pouco na Argentina.

Na minha esburacada Juazeiro, entristeçe-me ver acultura de nossa cidade, tão rica, entregue a pessoas totalmente despreparadas.

Aquele brioso pessoal que faz, por vocação, teatro, cinema, musica, entre outras atividades artísticas, merece mais respeito; eles são os verdadeiros arautos de nossa cultura e da própria história de nossa Juazeiro. Ignorar estes aspectos, visíveis, é burrice ao quadrado.

Tentando sintetizar o que me propus a dizer, o turismo que se pratica na Argentina e o que se tenta fazer na Bahia, há uma grande distancia.

Joselino de Oliveira - Economista,  Escritor – Membro da Academia de Cultura da Bahia.