RedeGN - O futuro da educação no Brasil

O futuro da educação no Brasil

Vejo com ressalva as discussões sobre o Plano Nacional de Educação (PNE) e as ambiciosas metas de melhoria na qualidade da educação no Brasil.

São discussões importantes, entretanto, faz-se necessário o enfrentamento de uma questão que reputo ser o “calcanhar de Aquiles” da escola pública: a indisciplina no ambiente escolar. Ou se restabelece a disciplina e a ordem ou todas essas discussões tornam-se inócuas.

É consenso que a família é a base de uma sociedade, é a sua célula mater, mas essa instituição, infelizmente, está em crise, não está dando conta da educação dos filhos, não consegue impor-lhes limites. E essa falta de limites chegou à escola.  Foi, então, delegada à escola a responsabilidade pela correção, dentro do seu espaço, dos distúrbios resultantes da crise familiar, e ela ingenuamente aceitou o papel de panacéia. A ingenuidade da escola está no fato de que ela já não estava dando conta da sua função precípua, que é a construção do conhecimento, construção essa, bastante prejudicada pela pedagogia da permissividade implantada na escola pública, que ensejou a desordem, um verdadeiro estado de desobediência a ordem pública por parte do aluno, que agora acha que pode tudo. E a escola não pode agir com rigor, para não constranger o aluno. O professor, por sua vez, vive “pisando em cascas de ovos”, medindo as palavras, para não correr o risco de ser interpelado judicialmente pelo aluno ou pelo seu responsável. Assim, não poderia a escola ser a redentora de um sistema do qual ela própria é refém.

Não se entende, todavia, por que na escola militar, que também é pública, reina a disciplina e a ordem estabelecida. Ou será que ela transgride a lei e ninguém tem coragem de denunciar?  Provavelmente, não. Por que a escola pública não militar também não pode impor a ordem dentro do seu espaço?

O resultado desse estado absoluto de desordem na escola pública é o prejuízo e/ou ausência da construção do conhecimento. Pois o aluno sabe que, diante de tantas facilidades concedidas pelo Estado, acaba não precisando estudar para passar de ano. Afinal, ele pode chegar em dezembro com a média 0 (zero), ainda assim, terá direito a uma recuperação e, se tirar 6,0 (seis), passa de ano. Portanto, levar o estudo a sério não é condição sine qua non para ser aprovado. O aluno pode contar, inclusive, com a sorte numa prova de assinalar as questões.

E para piorar a situação, surgem os programas de correção de distorção idade-série, a exemplos dos ciclos ou fases, que jogam os alunos para as séries seguintes, na maioria das vezes, sem nenhuma competência para estarem ali. Está-se, nesses casos, apenas “dourando ferrugem”. Dá-se a aparência de uma coisa boa, mas, na verdade, não passa de um brilho falso e fugaz, um artifício para melhorar as estatísticas. São medidas irresponsáveis que empurram a nossa educação para um futuro cada vez mais duvidoso.

 Raimundo Francisco Filho - Professor