RedeGN - Meio Ambiente: Professor destaca pontos positivos que poderão ser percebidos com a cheia do Rio São Francisco

Meio Ambiente: Professor destaca pontos positivos que poderão ser percebidos com a cheia do Rio São Francisco

O aumento das vazões das hidrelétricas de Sobradinho e Xingó trazem mais benefícios do que malefícios para a bacia hidrográfica do Rio São Francisco do ponto de vista ambiental. Desde o dia 24 de janeiro, o fluxo de água liberado nas hidrelétricas é de 4.000 m³/s e será mantido, já que, de acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), não há perspectivas de redução, nem de aumento no curto prazo, desde que as previsões climáticas se confirmem.

O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), José Maciel Nunes de Oliveira, explica que o aumento das vazões atenua um período de seca intensa e não deve colocar vidas em risco.

“A preocupação inicial com o aumento da vazão foi de preservar a vida dos ribeirinhos, visto que muitos ocupam áreas alagáveis. Por isso o CBHSF emitiu nota alertando a população a deixar as áreas de risco. Depois de 12 anos, as regiões do Submédio e Baixo São Francisco terão vazões em patamares elevados, o que é ótimo para o rio. O Velho Chico e seu ecossistema estão vivos!”, disse.

Maciel Oliveira explica ainda que o aumento das vazões trará diversos benefícios do ponto de vista ambiental. “Para o Velho Chico e sua bacia as cheias de agora são um alívio, promovendo uma ‘limpeza’ e inaugurando um novo ciclo de reprodução de peixes nativos”, acrescentou.

O professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e coordenador da Expedição Científica do Baixo São Francisco, Emerson Soares, destaca pelos menos oitos pontos positivos que poderão ser percebidos com a cheia do Rio São Francisco, como, por exemplo, a renovação da água e a diluição de poluentes.

“O aumento nas vazões proporcionará uma melhora na qualidade da água, diminuição de riscos de doenças e parasitas de veiculação hídrica, reprodução das espécies de peixes migradoras, maior volume de água de defeso natural para as espécies aquáticas, diminuição da quantidade de macrófitas aquáticas (plantas aquáticas) que causam problemas, quando em excesso, diminuição da quantidade de bancos de areia no meio do rio, além de encher algumas lagoas marginais, importantes para manutenção dos peixes”, afirmou.

De forma prática, o aumento da vazão vai ocasionar a subida do nível do rio em 2,5 metros na margem. Já no meio do rio o aumento pode chegar a até 4 metros. De acordo com Emerson Soares, os impactos negativos serão sentidos nas áreas onde houve avanço sobre o curso d’água.

“Nos trechos onde o homem desmatou vai haver erosão e desmoronamento das margens do rio pela fragilidade do solo sem a proteção da vegetação. Já nos casos em que houve a construção irregular ou avanço sobre o rio, o curso vai voltar ao local original e isto é uma consequência das escolhas que foram feitas porque uma hora o rio ia tomar o seu espaço de volta. Para as pessoas que ao longo do tempo vinham avançando sobre o rio, desmatando, vai haver sim impacto”, finalizou.

 

 

Assessoria de Comunicação CBHSF *Texto: Luiza Baggio. Foto: Juciana Cavalcante