RedeGN - Caso Beatriz: Nesta quarta-feira Polícia Civil realiza coletiva e dá detalhes do acusado do homicídio

Caso Beatriz: Nesta quarta-feira Polícia Civil realiza coletiva e dá detalhes do acusado do homicídio

Seis anos, um mês e um dia depois do assassinato de menina Beatriz Angélica Mota, de 7 anos, o caso tem nesta quarta-feira (12) mais um capítulo.

De acordo com a Superintendência da Polícia Civil, o suspeito de desferir 42 facadas na garota, dentro do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, foi identificado pela Polícia Científica de Pernambuco e confessou o assassinato.

O DNA encontrado na faca, segundo o laudo pericial, é de Marcelo da Silva de 40 anos, que está preso por outros crimes após ser ouvido por delegados, ele foi indiciado.

Ontem (11), a REDEGN acompanhou a live de Lúcia Mota, a fala da mãe de Beatriz teve cerca de 22 internautas presentes de forma online.

Nesta quarta, informações serão fornecidas na coletiva que será realizada, às 9h, no auditório da SDS, com representantes da Polícia Civil, Polícia Científica e Ministério Público de Pernambuco. 

Emocionada durante a live, Lucia explicou que soube da novidade no caso através da imprensa e ficou surpresa em não ter sido comunicada antes. Lúcia também disse "o DNA por si só não é o suficiente. Se foi feito exame de DNA, se deu positivo, tem outros elementos que precisam ser confirmados, principalmente a motivação do crime". Segundo Lucia, a família e advogados de Beatriz participarão da coletiva de imprensa convocada pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, nesta quarta-feira (12).

No dia 10 de dezembro de 2015, a menina participava da formatura da irmã, no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora. Ela saiu do lado dos pais para beber água e desapareceu. É o que mostram as últimas imagens em que ela aparece com vida.

Desde a data do assassinato, foram realizadas sete perícias. O inquérito acumulou 24 volumes, 442 depoimentos e 900 horas de imagens analisadas.

Em dezembro de 2021, os pais da criança percorreram a pé mais de 700 quilômetros, entre Petrolina e o Recife, para pedir justiça. O ato durou 23 dias e contou com apoio de autoridades municipais e dos moradores das cidades por onde eles passaram. 

A TV Globo teve acesso exclusivo ao laudo final do Caso Beatriz. Concluído na segunda (10), o documento foi enviado, nesta terça (11), para a Secretaria Estadual de Defesa Social (SDS) e ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE).

O documento da perícia técnica não esclarece a motivação do crime. Também não informa quais outros crimes são atribuídos ao homem que está preso.

Os peritos coletaram o DNA no cabo da arma, deixada no local do homicídio. A partir da análise, foi possível comparar com o perfil do assassino. O DNA dele fazia parte do Banco Estadual de Perfis Genéticos.

Segundo informações obtidas com pela TV Globo, o DNA da faca foi comparado com o material genético de 125 pessoas, consideradas suspeitas.

Todas essas amostras foram coletadas pelos peritos pernambucanos do Instituto de Genética Forense Eduardo Campos, desde 2015.

E foi justamente o Banco de Perfis Genéticos que revelou que entre esses suspeitos estava o assassino de Beatriz Angélica, que já está preso por outros crimes.

O laudo mostra, ainda, que o perfil genético obtido a partir da amostra é compatível com o DNA da menina e do suspeito.

NOTAS: Por meio de nota, a Secretaria de Defesa Social afirmou que, ao ser ouvido pelos delegados da Força Tarefa, Marcelo da Silva confessou o assassinato e foi indiciado.

O MPPE informou que já "adotou providências para garantir a segurança do preso, bem como já requisitou perícias complementares à Polícia Científica", mas não entrou em detalhes sobre quais providências foram.

CRIME: Beatriz Angélica Mota estava em uma festa no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, com os pais, festejando a formatura da irmã. Cerca de 2 mil pessoas estavam na unidade de ensino no dia do evento.

O pai dela era professor de inglês da instituição. A última imagem que a polícia tem de Beatriz foi registrada às 21h59 daquele dia. Ela se afasta da mãe e vai até o bebedouro do colégio, localizado na parte inferior da quadra.

O corpo de garota foi encontrado em um depósito de material esportivo desativado, perto da quadra onde ocorria a solenidade.

A menina tinha ferimentos no tórax, membros superiores e inferiores. A faca usada no crime, de tipo peixeira, foi encontrada cravada na região do abdômen da criança.

No dia seguinte, a faca foi tirada de Petrolina e entregue ao Instituto de genética Forense, no Recife. A imagem de uma câmera de segurança mostrando um possível suspeito chegou a circular, mas a polícia não conseguiu identificá-lo.

INVESTIGAÇÃO: Depois de passar por oito delegados deferentes, a investigação ficou com uma Força-Tarefa formada por quatro profissionais que passaram a comandar as apurações.

Durante a caminhada de mais de 700 quilômetros pedindo por justiça, em dezembro de 2021, a mãe de Beatriz afirmava sempre que “a polícia tinha sabotado o inquérito”. Segundo Lúcia Mota, “os assassinos estavam sendo protegidos pela polícia”.

Após a caminhada, os pais da menina se reuniram com o governador Paulo Câmara (PSB), no Palácio das Princesas, sede do governo. O governador afirmou que era favorável ao processo de federalização das investigações.

No mesmo dia, o chefe do Executivo estadual anunciou a demissão do perito Diego Costa, que prestou consultoria ao colégio onde a menina foi morta.

Diante da demissão, a Associação de Polícia Científica afirmou que “estava atenta a todos os desdobramentos do caso, para adotar todas as providências voltadas para a defesa dos interesses do perito criminal Diego e de toda categoria”.

No encontro com os pais da menina, no dia da chegada da caminhada ao Recife, o secretário de Defesa Social, Humberto Freire, reconheceu que “houve dificuldades em momentos da investigação”.

Freire disse também, no dia do encontro, que imagens de câmeras de segurança que tinham sido apagadas foram recuperadas. Um inquérito foi aberto para identificar se foi “uma falha de manuseio” ou intencional.

Nesta ocasião, o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora informou que as imagens divulgadas integram o inquérito policial e que as pessoas que aparecem nelas não fazem parte da instituição.

A instituição de ensino afirmou, ainda, que “não houve manipulação ou exclusão de imagens das câmeras”.

Procurado pela TV Globo para comentar os problemas na investigação, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE), Bruno Baptista, afirmou que “falhas ocorreram principalmente no início do inquérito”.

Redação redeGN