RedeGN - Especialista em Recursos Hídricos questiona sobre segurança das barragens de rejeito em Jacobina

Especialista em Recursos Hídricos questiona sobre segurança das barragens de rejeito em Jacobina

O dique que transbordou e inundou dia (8) um trecho da BR-040 em Nova Lima (MG) passou para o nível 3 de emergência, por determinação da Agência Nacional de Mineração (ANM). Esse é o nível mais alto de risco e indica a possibilidade de rompimento.

Em comunicado, a ANM informou que a elevação do nível de emergência foi decidida após vistoria. Caberá à mineradora Vallourec reforçar a estabilidade da estrutura. Técnicos da agência trabalham junto com funcionários da empresa para monitorar o risco de rompimento.

Este rompimento fez o secretário da Diretoria Executiva do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), Almacks Luiz, Graduado em Gestão Ambiental com especialização em Recursos Hídricos, Saneamento e Residência Agrária em Tecnologias Sociais e Sustentáveis no Semiarido, questionar a segurança das mineradoras instaladas em Jacobina. 

Nas redes sociais, Almacks Luiz postou: 

Comparamos a foto das barragens de rejeitos B1 e B2 da Yamana Gold em Jacobina (foto @thojbauer) com a imagem da barragem da Mina Pau Branco de propriedade da Vallourec (foto G1), na divisa de Brumadinho/Nova Lima que aconteceu o incidente dia 08/01/2022.

Os técnicos da empresa Vallourec atestam: "Ocorreu uma queda de 3 bancos na Pilha de co-disposição Cachoeirinha ( estéril + rejeito filtrado ). Esta pilha fica a montante do Dique Lisa, barramento de contenção de finos desta pilha. Com a queda destes bancos o material atingiu o dique criando uma onda que galgou o barramento levando lama até a BR040 que fica logo abaixo".

Finalmente declaram que não houve rompimento, houve um galgamento.

A estatística de casos de acidentes de barragens feito pelo Comitê Brasileiro de Barragens - CBDB e pela International Commission On Large Damms - ICOLD atestam que em 65% dos casos de acidentes em barragens são por galgamentos.

Saindo de Minas Gerais para Jacobina, fica a pergunta:

As barragens de rejeitos B1 e B2 da Yamana Gold em Jacobina pode ter um galgamento?

A reportagem da REDEGN não conseguiu contato com a mineradora citada.

GALGAMENTO: Segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, a medida era esperada e sempre ocorre quando há movimentação da pilha de estéril (rejeitos minerais). A Vallourec informou que as atividades na mina estão suspensas desde quando ocorreu o desastre.

Um trecho da BR-040 próximo à saída de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro foi inundado por lama e rejeito de minério. O incidente ocorreu após o dique transbordar por causa das fortes chuvas que atingem Minas Gerais neste fim de semana.

A enxurrada arrastou carros e caminhonetes, mas deixou apenas um ferido leve. A enxurrada seguiu para uma área de mata às margens da rodovia. Seis famílias que moram na região foram retiradas.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais determinou a suspensão das atividades da mina até que a mineradora apresente documentos que comprovem a estabilidade da estrutura. A Vallourec informou que as atividades no local foram suspensas imediatamente após o transbordamento do dique.

NOTA MINERADORA: Em nota, a Vallourec informou que a estrutura do dique permanece estável. Segundo a mineradora, a elevação do nível de alerta significa que a companhia terá de implementar medidas de emergência mais rigorosas, como a remoção de pessoas residentes na área de inundação. A companhia ressaltou que as seis famílias que moram na área foram evacuadas ontem, antes mesmo da mudança de classificação, e que está trabalhando em conjunto com as autoridades para minimizar os transtornos.

A mineradora também informou que está removendo mais de 400 animais silvestres para criadouros e viveiros credenciados por órgãos ambientais. Segundo a companhia, a Barragem de Santa Bárbara, no mesmo complexo da mina, não tem rejeitos de mineração, apenas água e sedimentos, e foi reformada para suportar chuvas intensas que ocorrem a cada 10 mil anos.

Redação redeGN Foto Reprodução Redes Sociais