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Carnaval em 2022 pode ser um risco para a saúde pública, dizem especialistas

No Brasil, a vida aparenta estar voltando a ser o que era antes da pandemia. Até o dia 28 de novembro, o site Our World In Data registrava que 62,9% da população brasileira estava totalmente vacinada, cerca de 133,606 milhões de pessoas.

Com tantos indivíduos vacinados, escolas e faculdades estão retomando as atividades presenciais, estabelecimentos comerciais voltaram a funcionar com menos restrições e eventos esportivos permitem torcidas.

Mesmo tendo um vislumbre da vida normal, a pandemia mostra que ainda não acabou. Na Espanha, por exemplo, mesmo com 89% da população totalmente vacinada, há um registro de incidência acumulada de 132 casos para cada 100 mil habitantes desde o início de novembro. Já na Áustria, desde o dia 15 de novembro, o governo impôs lockdown para toda a população que se recusou a se vacinar. No mesmo período, na Alemanha, profissionais da saúde adiaram cirurgias para liberar leitos das UTIs a pacientes com covid-19.

Essa nova onda de covid-19 na Europa serve de alerta para o Brasil, segundo os professores Fernando Bellissimo Rodrigues e Valdes Bollela, ambos da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Eles afirmam que a realização das festas de final de ano e Carnaval sem medidas de proteção representa um risco para a saúde pública. “Se as pessoas não seguirem as medidas de proteção e distanciamento nas festas de final de ano, é possível que o número de casos aumente já no começo de 2022”, aponta o professor Bollela.

Como o Carnaval é famoso por levar milhares de pessoas às ruas, tanto brasileiros quanto estrangeiros, os especialistas temem que o número de infectados possa aumentar mais uma vez, mesmo com 62,9% da população brasileira já com o esquema vacinal completo. “Não temos como saber como estará a vacinação no primeiro trimestre do ano que vem, mas, mesmo com mais da metade do País vacinado, seria ideal evitar grandes aglomerações por mais um tempo”, alerta o professor Bellissimo.

No entanto, ainda em relação à vacinação, Bellissimo acrescenta que são baixas as chances de uma nova variante ser criada durante as festividades de Carnaval. O professor lembra do surto de covid-19 que houve em maio na Índia e diz que, pelo fato de a vacinação estar tão avançada no Brasil, as chances de um surto agudo são pequenas.

Até o dia 29 de novembro, cidades como Recife, Salvador, São Paulo e Fortaleza ainda haviam confirmado a realização da festa pagã, enquanto as cidades de Jundiaí, São Luiz do Paraitinga, Coromandel e Uberlândia informaram que não realizarão desfiles de Carnaval.

Os profissionais da saúde trabalharam incessantemente desde o início da pandemia e a possibilidade de uma nova onda de covid-19 representaria um novo período de trabalho intenso nas UTIs. Os professores Bellissimo e Bollela têm opiniões divergentes em relação a se o Brasil conseguiria lidar com uma nova onda.

De acordo com o professor Bellissimo, os profissionais da saúde teriam condições de suportar uma nova possível onda de covid-19. “Acredito que os médicos e enfermeiros manejaram muito bem toda a situação, fizeram um trabalho excelente. Creio que, em caso de uma nova onda, todos conseguiriam lidar muito bem com a situação”, comenta.

Entretanto, Bollela acredita que o desgaste sofrido pelos profissionais e a falta de leitos nos períodos mais intensos da pandemia não seriam suportáveis mais uma vez. “Tanto os profissionais de saúde quanto a população sofreram imensamente neste último ano, e só a ideia de viver mais um surto da doença é preocupante. Temos que torcer para que não cheguemos a situações extremas”, afirma.

Jornal da USP