RedeGN - POR UMA JUAZEIRO MAIS HUMANA

POR UMA JUAZEIRO MAIS HUMANA

Geraldo, mais uma vez peço licença para expor meu ponto de vista neste espaço democrático que é seu blog.

É impressionante, como os políticos locais se elegem sem nenhuma plataforma política, e quando tem alguma, se eleito, não cumpre o prometido. Numa relação de interdependência em que vivemos, não podemos mais aceitar a famosa e detestável máxima política do: “Aos amigos os favores, aos demais os rigores”, não há mais lugar para este tipo de pratica, definitivamente, políticos e eleitores, correligionários ou adversários, têm que unir forças em prol de uma Juazeiro mais justa, mais humana, mais progressista e feliz.

A cidade não existiria sem seus habitantes, e estes, por outro lado, interagem com ela, além de vê-la como referência em suas movimentações diárias. Para isso, no entanto, é preciso que se construa uma série de sinalizações e de espaços. Importantes e necessários, inclusive, para o disciplinamento de quem por ela e nela circula. Daí a relevância das calçadas e vias publicas desobstruídas, praças limpas e bem cuidadas. Coisas simples e de total responsabilidade do poder publico que não vemos em Juazeiro.

Percebe-se, portanto, a necessidade do prefeito e dos vereadores. Agentes públicos municipais incumbidos de pensarem e apresentarem projetos a comunidade. Bem mais que os próprios munícipes, cujas responsabilidades pela cidade não são eliminadas em razão da existência daqueles.

Contudo, vale dizer, uma grande parcela dos moradores deixa tudo por conta de seus representantes na Câmara Municipal e na chefia do Executivo. Tais representantes, no entanto, preferem se esquivar de seus compromissos, optando por cuidarem melhor dos afazeres supérfluo-burocráticos e garantirem seus bons salários no final do mês.

Aliás, por conta disso, cresce a lista dos contemplados com comendas, títulos de cidadania e monções. Isso explica a ausência de discussões no plenário da Casa Legislativa, assim como igualmente não se vê o uso freqüente da tribuna e dos apartes - exceto quando os nobres parlamentares se pegam com querelas pessoais.

Essas brigas, por exemplo, trancam a pauta no Legislativo. O que, de certo modo, beneficia o governo, que se vê longe do olhar fiscalizador e cobrador. E ao mesmo tempo a cidade fica pobre de projetos.

Situação comprometedora. Agravada com a sujeira que entope os bueiros, a ponto de qualquer chuva deixar intransitável muitas avenidas, e com as calçadas transformadas em estacionamento, lojas usando o espaço publico como vitrine de maquinas quando não se tornam igualmente extensão de botequins, bares e restaurantes, ao mesmo tempo em que uma ou outra rua tem a sua passagem bloqueada para festas particulares. Isso sem contar com a imoralidade causada pela venda e aluguel de pontos de táxis e mototaxis.

Desatenção que se volta contra o próprio morador. Isso porque ele tem, cada vez mais, diminuído os espaços por onde poderia se locomover - dificultada ainda mais pela inexistência de ruas com identificação claras e residências corretamente numeradas, de placas sinalizadoras e identificação dos itinerários dos ônibus nos pontos dos transportes coletivos. O que deixa perdido não só quem aqui chega pela primeira vez, mas também seus antigos moradores.

Assim, nossa Juazeiro cresce. Porém, o seu crescimento se dá de forma desordenada e norteada pelo desrespeito às regras e às normas, sem que haja um posicionamento oficial ou uma ação que venha a desbloquear os entraves erguidos, os quais nem, sequer, servem como referência. Pois afastam a cidade de seus habitantes, e estes se vêem "num mato sem cachorro", ou seja, desorientados e destituídos do seu espaço maior, que é a própria cidade - distanciada, agora, do real papel. O que compromete o futuro, além de ignorar-lhe o passado e emperrar o seu presente.

Julio Almeida

Foto de Harisson Feeling no Wikipédia, a enciclopédia livre