RedeGN - Suspeito de matar jovem Alice Rodrigues vai a júri popular no dia 5 de outubro, e família pede condenação: "A justiça será uma resposta de paz"

Suspeito de matar jovem Alice Rodrigues vai a júri popular no dia 5 de outubro, e família pede condenação: "A justiça será uma resposta de paz"

5 de outubro de 2021. Essa é a data marcada para o julgamento de Nielton Gonçalves Soares, apontando como autor do crime que vitimou Alice Nilza Rodrigues. O crime aconteceu em janeiro de 2019, e o corpo da jovem, que na época tinha 18 anos, foi encontrado em um terreno próximo a Universidade do Estado da Bahia (UNEB) de Juazeiro. 

Nielton Gonçalves Soares foi preso em flagrante pela Polícia Civil horas após o crime, mas até então não tinha sido levado a júri popular. Em maio de 2019, durante audiência de instrução realizada no Fórum Conselheiro Luiz Viana Filho, em Juazeiro, o juiz considerou existir indícios de um crime doloso e que o acusado poderia ser o culpado. Considerou ainda que, por se tratar de um crime doloso contra a vida, o processo deveria ser julgado pelo tribunal do júri.

A poucos dias do julgamento, a família de Alice espera que Nielton seja condenado. A RedeGN conversou com Holglas Rodrigues, irmã da vítima.

Relação com o acusado

Na época do crime, a polícia informou que Alice teve uma relação amorosa esporádica com o acusado, e que ele não se conformava com o fato de Alice ter um relacionamento afetivo fixo com outra pessoa, e chegou a ameaçá-la, inclusive, dizendo que ia divulgar imagens íntimas dela nas redes sociais se ela não ficasse com ele. Alice teria se negando a ficar com Nielton, e por este motivo teria sido assassinada.

Holglas disse que Alice e Nielson ficaram pouco tempo juntos, e que a vítima teria terminado o relacionamento em virtude do comportamento agressivo do então companheiro. Disse também que as amigas de Alice também relataram que ele a ameaçava de morte, pois estava obcecado pelo fato de que ela não queria manter um relacionamento.

"Ficaram pouquíssimo tempo juntos. Ela não quis mais continuar o relacionamento com ele, pois mostrava-se agressivo. Então ele passou a persegui-la, e em um espaço de uma semana, de maneira cruel e dissimulada, ele se reaproximou dela, premeditando o crime, pedindo-lhe perdão e alegando que poderiam ser amigos. Foi quando no dia 19 de janeiro de 2019, ela aceitou uma carona e ele a assassinou", contou.

Provas

Na época do crime, a polícia informou que havia encontrado as roupas do acusado sujas de sangue e que o aparelho celular da vítima também estavam com Nielton. As provas foram apreendidas e submetidas à perícia. Holglas diz haver provas contundentes de que Nielton foi o autor do crime.

"Uma semana anterior ao crime, Nielton divulgou fotos dela, na rede social Facebook, com intuito de envergonhá-la e denegrir sua imagem. A mesma só não prestou queixa pois ele, de maneira muito dissimulada, a pediu perdão por várias vezes. No dia crime, quando a polícia o abordou, foi encontrado com o mesmo o telefone celular e suas vestes estavam sujas de sangue, sangue de Alice, escondidas embaixo de sua cama. Além de várias câmeras no Centro da cidade que flagraram ele junto com ela, minutos antes do crime, entre outras provas", disse Holglas.

A defesa de Nielton apresentou diversos pedidos para que o acusado pudesse responder em liberdade, o que foi negado para a Justiça, o que, para a família de Alice, reforça que as provas são contundentes contra ele.

"Ao longo desses 2 anos e 8 meses seus advogados entraram com vários recursos para desqualificá-lo como autor do crime, mas todos os recursos foram negados, assim acreditamos que são provas contudendes que o qualificam como autor desse crime monstruoso. Nesse ano de 2021, Nielton Gonçalves Soares foi condenado pela lei Maria da Penha, por já haver agredido uma outra mulher, ou seja, os crimes contra a mulher já são regra na sua vida, ele mostrase uma pessoa que zomba das leis, e possui atitudes tendeciosas para esse tipo de crime", concluiu. 

Júri Popular

O júri popular está previsto para acontecer no próximo dia 5 de outubro, no Fórum Conselheiro Luiz Viana, em Juazeiro. A família prepara uma manifestação, no dia 2 de outubro, "a favor da paz e a favor da nossa verdadeira liberdade. Não podemos continuar sendo assassinadas pelo simples fato de que não queremos continuar dentro de um relacionamento abusivo. Pois quando morre uma mulher, dessa forma que Alice morreu, morrem todas as mulheres, familiares, amigos e a sociedade", lamenta Holglas.

A família diz esperar que o júri fala Justiça. "Esperamos Justiça, que ele pague judicialmente pelo crime que cometeu. Esperamos que o júri popular realmente represente a vontade da população de viver em paz e em equilíbrio. Não somente a família precisa da justiça, mas toda a sociedade, se não, que resposta estaremos dando para nossas meninas? Para nossos filhos? Para nós mesmos? Não podemos admitir que a violência contra a mulher ou contra qualquer inocente seja normalizada. Pois a maior epidemia que assola o Brasil hoje é feminicídio. Devemos lutar contra esses crimes, para que esses crimonosos pensem mais de duas vezes antes de cometer tais atos atrozes, pervesos, impiedosos", diz Holglas.

Dor da perda

2 anos e 8 meses depois da morte de Alice, a família ainda tenta lidar com a dor da perda. 

"A dor da perda de Alice é muito grande em nossas vidas, vivemos um dia de cada vez, reaprendendo a viver sem sua presença e a amenizar as memórias de sua morte que aconteceu de forma tão brutal. Vivemos esperando o único acalento que podemos ter em vida, a concretização da justiça e, assim esperamos que dia 05/10-/2021 aconteça. A justiça será uma resposta de paz a toda sociedade, familiares e amigos, e será uma resposta ao assassinos de que não toleramos assassinatos de jovens meninas inocentes, inocentes sim, pois não cometeram crime nenhum, apenas chegaram a conclusão de que não aceitariam viver relacionamentos tóxicos e que por essa decisão de seguirem suas vidas sem esses monstros, são assassinadas de maneira tão fria e cruel", finaliza Holglas Rodrigues, irmã de Alice Rodrigues.

Da Redação RedeGN / foto: arquivos pessoais