RedeGN - Repercussão: Médico Legista, professor George Sanguinetti, participa de debate sobre o Caso Beatriz: onde mora a impunidade

Repercussão: Médico Legista, professor George Sanguinetti, participa de debate sobre o Caso Beatriz: onde mora a impunidade

O médico legista e professor George Sanguinetti, participa hoje (13), de debate promovido pela Rádio Jornal FM 90.5, para falar sobre o Caso Beatriz. O tema será "Onde mora a impunidade, crimes sem solução" e terá início às 11 horas. Um levantamento do Instituto Sou da Paz aponta que 70% dos homicídios no Brasil não serão Solucionados.

Em 2018, George Sanguinetti declarou em reportagem da REDEGN, a frase: “O tempo que passa é a verdade que foge”.

Com exclusividade em janeiro de 2018, o médico legista, coronel médico reformado pela Polícia Militar,  George Sanguinetti escreveu um texto refletindo a ausência de provas com relação ao crime da menina Beatriz. Sanguinetti acusou "o comando da Segurança Pública de Pernambuco pelas entrevistas coletivas conflitantes, substituição de delegados e nada de concreto surgiu em tanto tempo". 

A menita Beatriz foi assassinada no dia 10 de dezembro 2015, com 42 facadas, durante uma festa no Colégio Maria Auxiliadora, em Petrolina. Até o momento ninguém foi preso.

Em sua página no Facebook, diz que a imagem de um provável suspeito de matar a menina Beatriz em Petrolina é muito pouco para uma investigação que já dura quase seis anos. "A imagem de um homem andando em frente ao colégio, divulgada pela polícia, é muito pouco. O autor do crime conhecia muito bem o colégio, o criminoso teve ajuda para agir. Então a polícia por não ter nada provado, divulga a imagem do suspeito". 

Ontem (12), durante visita do governador de Pernambuco, Paulo Câmara, a Petrolina, Lucinha Mota, mãe da garota Beatriz Mota, revelou que o inquérito policial do caso aponta quatro ex-alunos como mandantes do assassinato da garota no Colégio Maria Auxiliadora, em dezembro de 2015. Liderando o grupo "Somos Todos Beatriz", Lucinha fez uma manifestação em frente a EREM Professora Maria Wilza Barros Miranda, no bairro João de Deus, onde aconteceu o evento que contou com a participação da comitiva do governador, após ser impedida de entrar no local.

“Ninguém vai me impedir de falar, eu pago os meus impostos e estou em um local público, ninguém vai me tirar daqui não, só se for à força. Quero ver quem tem coragem”, desafiou Lucinha Mota, que fez ainda uma nova revelação sobre o inquérito do caso, ao apontar o suposto envolvimento de quatro ex-alunos da instituição no assassinado da garota. Ela também destacou o trabalho das delegadas Sara Machado e Polyanna Neri, que foram tiradas do caso durante o andamento das investigações.

"O inquérito de Beatriz tem dois laudos dizendo que foi encontrada uma digital palmar dentro da cena do crime. O primeiro laudo, produzido pela Polícia Cientifica de Pernambuco, assinado por quatro peritos, diz que essa palmar é compatível com a de um ex-aluno do Colégio Maria Auxiliadora, que está solto. O grupo que está aqui sabotando, anos depois, produz um outro laudo com a assinatura de dois peritos, dizendo que não é. Protegendo o assassino. Se a digital dele está lá, ele é assassino. Tem outros ex-alunos do Colégio que também estavam na cena do crime. E o que foi que a Polícia Civil fez? Nada. Não tem uma busca e apreensão nas residências deles, apenas oitivas feitas no papel. A oitiva tem que ser filmada. É só o que têm no Caso Beatriz, volumes e mais volumes de papel que não vão para lugar nenhum. As delegadas interessadas no Caso Beatriz foram tiradas. A delegada Sara [Machado] aponta pelo menos quatro ex-alunos como os mandantes do assassinato de Beatriz. A doutura Polyana Nery pediu a prisão do funcionário que apagou as imagens do assassino, indiciou mais dois funcionários, e o que foi que a Polícia Civil fez? Tirou ela do Caso Betriz. É assim que eles agem. Eles perseguem. A drª Polyana teve seu salário cortado e foi perseguida", desabafou Lucinha.

Lucinha acusou o governo de Pernambuco de ser conivente com a impunidade e de impedir, propositadamente, que grupos estrangeiros auxiliem na investigação. Ela também garantiu que a luta por justiça não está perdendo força.

“Vocês estão aqui custeados pelo nosso dinheiro, não estamos pedindo favor, investigar um crime é obrigação do Estado. Este governo tolera a impunidade, é cúmplice da criminalidade, essa morte de Beatriz é do governo de Paulo Câmara. [...] Vocês estão errados em pensar que o grupo de Beatriz está perdendo força. Nós agora temos apoio internacional, estamos ganhando força, e eu vou até o fim. Se vocês querem me parar, terão que me matar para me calar. Tem uma equipe de investigação, que é uma das melhores do mundo, que quer vir para Petrolina, querem trazer recursos, querem trazer ciência, e vocês negam, se recusam, por quê? Vocês estão acobertando o assassino de Beatriz?”, questionou.

O CRIME: Beatriz Angélica foi assassinada em 10 de dezembro de 2015, com 42 facadas durante a festa de formatura de sua irmã mais velha, no Colégio Maria Auxiliadora. A última imagem que a polícia tem de Beatriz foi registrada às 21h59 do dia 10 de dezembro de 2015, quando ela se afasta da mãe e vai até o bebedouro do colégio. Após perceberem o sumiço da criança, os pais desesperados começaram a procurá-la, até que minutos depois, o corpo da menina foi encontrado atrás de um armário, dentro de uma sala de material esportivo.

Confira na integra o texto inscrito em 2018 por George Sanguinetti:

"Reflexões sobre um bárbaro homicídio impune. O caso Beatriz – Petrolina-Pernambuco.

"O corpo foi encontrado em sala do Colégio tradicional católico de Petrolina; local isolado da festa de confraternização por Formatura. Inúmeros golpes de faca, vestes embebidas em sangue. Na área não coberta do corpo, cortes, ferimentos, com predomínio da ação cortante, nos membros superiores, região cervical (pescoço), membros inferiores. Na face manchas sanguíneas coaguladas não permitem descrever as áreas atingidas. Os golpes desferidos foram aleatórios, sem metodologia ou ordenamento, o que inviabiliza a hipótese de utilização de ritual de magia negra.

A violência dos ferimentos, ódio ou insanidade. Uma criança atacada com tamanha sanha assassina. Por que? Por quem? E em espaço de tempo tão curto.

A menor Beatriz estava com os familiares, em determinado momento dirige-se ao bebedouro; já não mais é vista. Conduzida para o local onde seria sacrificada por alguém que conhecia bem as dependências do Colégio e que contou com ajuda de cúmplice para vigiar quanto a possibilidade da aproximação de pessoas. Quase duas mil pessoas no local. Pais, professores , alunos, convidados; a solenidade seguindo seu curso.  Quem poderia imaginar que ocorreria tamanha selvageria com uma menor. Por que? Por quem?

Notando que Beatriz não regressou, os pais iniciam uma busca frenética. Chamam, chamam, mas não há resposta. Até o corpo ser encontrado. Pessoas presentes, que faziam parte da busca ou atraídos pela movimentação anormal, entram no local do crime. Fotografam utilizando i-fone, celular, caminham, superpõem pegadas, como foi antes da chegada da Perícia, tornou o local “ não preservado, inidôneo ou violado”. 

Sempre há um prejuízo. Recebi  doze fotografias, tiradas antes da chegada da Perícia. Analisei, ampliei, utilizei técnicas de fotografias forenses e passei a acompanhar o caso, inclusive por ser crime hediondo, me ofereci a Polícia de Petrolina para ajudar, sem custos, nem mesmo de passagens, hospedagem, etc. Não fui aceito. Tentei via Ministério Público, não logrei  êxito. Com as fotografias do corpo no local, observei manchas de sangue por escorrimento, manchas por contato e manchas por impregnação. Também uma pegada, que pelo local ter sido violado, a esclarecer se de uma das pessoas que adentraram a sala, ou do executor.

Pensei se não desejam ajuda é porque estão desvendando o crime. Começaram entrevistas coletivas conflitantes, substituição de delegados; nada de concreto surgiu em tanto tempo.

Para dar uma satisfação, atribui-se a autoria a uma imagem de vídeo, divulgada quase dois anos após, de pessoa que estaria frente ao Colégio e que também foi vista no interior, durante a confraternização. Sem prova técnica, nexo de causalidade, arma do crime, indícios que coloque alguém no local da morte onde houve o homicídio, não há realidade jurídica.

Lamento, mas a investigação encontra-se sem rumo. Insisti que retorne ao início, que verifique os vestígios do local, que me permita acesso a parte técnica, aos laudos periciais, como o necroscópico, o levantamento de local. Darei respostas e como o caso está sob sigilo de Justiça, não irei divulgar juízo de valor, sobre o que foi feito ou deixou de ser feito. Aplicarei meus conhecimentos para evitar a impunidade. Eu represento, pelo tempo decorrido, a única possibilidade de esclarecimento. É desabafo ao que poderia ter sido feito".

“O tempo que passa é a verdade que foge” (Edmond Locard).

George Sanguinetti-médico legista

 

Redação redeGN