RedeGN - Artigo – Entre as Redes Sociais e o Brasil real

Artigo – Entre as Redes Sociais e o Brasil real

É surpreendente ver como o mundo das controvérsias políticas e ideológicas mexe com o equilíbrio e a capacidade de avaliação das pessoas, principalmente quando essas estão afetadas por um sentimento mais sectário, que não permite aos demais uma visão crítica independente. Entendo a direita e a esquerda, ambas, tem algo em comum: não gostam de ler, ouvir e conhecer a verdade. Não sabendo eles que o texto bíblico nos ensina: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. A verdade é que a Esquerda vive um desterro político pós Lava-Jato de extensão ainda não imaginada, além de não ter se renovado. E, do outro lado, dona Direita sempre vaidosa, e algumas vezes, malvada e mal falada. 

Ora, é tão difícil assim para alguém admitir um ponto de equilíbrio numa análise política, de acordo com o desempenho e atitudes de quem está no Poder, no momento de uma reflexão mais pragmática dos fatos e ações do Governo? Para mim é indiferente se quem está no Poder é de Esquerda ou Direita, uma vez que aqui já elogiei e critiquei ambos os segmentos ideológicos. Tão pouco pretendo ser dono da verdade, e sim promover algumas considerações sobre quem quer que esteja ganhando o meu e o seu dinheiro para bem nos representar.

O que não é concebível é romper princípios para ser solidário a erros cometidos por governantes que, seduzidos pela força que o Poder oferece, praticam asneiras e decisões insensatas, que só envergonham aqueles que os elegeram. Bato palmas para Deputados e Senadores do Partido Republicano, dos EUA, que tiveram a dignidade de reprovar o incitamento à violência praticado pelo Presidente Trump aos seus apoiadores para que invadissem o Capitólio, ou Congresso americano. Inclusive, 10 Deputados Republicanos votaram a favor do seu impeachment!

Do lado de cá, pensávamos que tínhamos nos livrado dos tempos da Dilma Rousseff-PT, com as suas frases folclóricas e hilárias, maltratando a todo instante a língua portuguesa. Mas, embora não incorra em erros linguísticos, o Bolsonaro comete o absurdo de emitir conceitos vazios, sem nexos e com ar quase sempre debochado, invocando a ideia de um despreparo inimaginável para alguém no cargo que ocupa. Por exemplo:
- Pretendeu decretar: “O fim dos radares móveis nas rodovias”;
- Disse: “O vírus tá aí, vamos enfrentar como homem, não como moleque”; 
- “O brasileiro tem de ser estudado, ele não pega nada; mergulha no esgoto e não
  morre”;
- Sobre a eficácia da vacina da Pfizer: “Se você virar um jacaré, é problema seu”;
- 2,0 milhões de mortos no Mundo e quase 210,0 mil no Brasil, e ele diz: “Tá com
  medinho de pegar o vírus?” Um tremendo desrespeito!
- Inúmeras provas de insegurança e indecisões ao anunciar medidas sem previa reflexão,
  que são logo canceladas um ou dois dias depois, ao longo dos dois anos de Governo...

Parece pouco – tem muito mais -, e alguns até dirão que são coisas insignificantes, mas impossível não acrescentar algo mais grave. Enquanto Estadistas do Mundo, e aqui Prefeitos e Governadores, estão dedicados nas providências para vacinar o povo, o Bolsonaro passeia de Iate num belo dia de sol e, de repente, pula ao mar cercado de seguranças e nada até a praia ao encontro de uma multidão. Imprudentemente, abraçou sorridente algumas pessoas e retornou ao iate. Populismo ridículo, e que não parece real, diante de uma crise sanitária da magnitude que o País está vivendo! O gesto parece mais voltado a exibir uma imagem de pré-candidato, antecipando, prematuramente, a eleição de 2022. À luz de tão maus exemplos, sugestivo é seguir o ditado popular: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”!

Concluo concordando com o colunista Josias de Souza, ao afirmar que “há dois governos em Brasília: o alternativo e o oficial. Num, Jair Bolsonaro comanda o departamento de efeitos especiais. Noutro, o ministro Paulo Guedes e sua equipe se esforçam para que não desande no Congresso a agenda sobre os problemas do Brasil real...”. Ou seja, uns empurrando para a frente e ele empurrando para trás!

Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – de Salvador - BA.