RedeGN - SANFONA 8 BAIXOS DE LUTO: Morre sanfoneiro Geraldo Correia em Campina Grande, Paraíba

SANFONA 8 BAIXOS DE LUTO: Morre sanfoneiro Geraldo Correia em Campina Grande, Paraíba

"Se não tiver ritmo, sentimento, melodia e harmonia não é música". Assim definiu Geraldo Correia durante uma visita de Dominguinhos à Campina Grande, durante a gravação do documentário Milagre de Santa Luzia.

Na manhã deste domingo (13) morreu em Campina Grande, um dos dos maiores sanfoneiros de 8 Baixos de todos os tempos, o músico Geraldo Bispo Antero, conhecido como Geraldo Correia, 90 anos. Ele e Zé Calixto foram dois virtuosos no instrumento e contemporâneo do paraibano Jackson do Pandeiro.

Além de virtuoso tocador da sanfona de oito baixos, o paraibano Geraldo Correia, especialista em choros, é também um grande compositor. Sua sanfona, afinada por ele mesmo, tem um som inconfundível, que segundo o amigo,hoje o saudoso Dominguinhos lembrava muito o do clarinete.

Durante oito anos, Geraldo viveu entre Rio de Janeiro e São Paulo, gravando pela Cantagalo, lendária gravadora de Pedro Sertanejo, e tocando nos diversos forrós do próprio Pedro. 

Geraldo começou a tocar  sanfona de oito baixos aos 12 anos de idade pegando o instrumento do irmão Severino. Ganhou o nome artístico em 1954, quando ao se apresentar na Rádio Clube de Pernambuco, esqueceu a correia do instrumento em casa e passou a ser chamado em forma de brincadeira de Geraldo da Correia.

Começou a tocar na feira de sua cidade natal ainda criança, e logo enturmou-se com os músicos locais como  trompetistta Porfírio Costa que integrou a Orquestra Tabajara, e com quem aprendeu a tocar choro. Em Campina Grande foi companheiro de boemia de artistas como Jackson do Pandeiro, Genival Lacerda e Rosil Cavalcanti, entre outros. Chegou a acompanhar a cantora Marinês, em começo de carreira, em apresentações na Rádio Cariri.

Em 1954, passou a tocar acordeom na Rádio Clube de Pernambuco. Depois de passar algum tempo entre Recife e Campina Grande, recebeu uma carta do compositor Antonio Barros e foi para o Rio de Janeiro. Em 1964, contando com a ajuda entre outros, de Genival Lacerda, gravou pelo selo Polydor, da gravadora Philips, seu primeiro LP, intitulado “Um baixinho e seus oito baixos”, com produção de João Melo e um repertório instrumental com composições de sua autoria, como “Forrobodó”, “Castigando o fole”, “Saudades do meu baião”, “Lembrança do meu sertão” e “Adeus Campina Grande”. No Rio de Janeiro conviveu com grandes nomes da música instrumental: fez serenatas com Abel Ferreira, tocou na casa do trombonista Raul de Barros e conheceu o maestro Moacyr Santos.

Em 1965, também pela Polydor lançou o LP “A volta do baixinho”, que contou com as participações dos instrumentistas Meira e Dino Sete Cordas, que apresentou choros, arrasta-pés e rojões, além de duas valsas “Saudade de Nena” e “Zé Pretinho no forró”, parcerias com o paraibano Manoel Serafim. Em 1973, lançou pelo selo Tropicana/CBS o LP “Forró em Cajazeira”

Em 2014, o mestre dos 8 Baixos, Geraldo Correia foi homenageado no Encontro de Sanfoneiros do Recife no Teatro de Santa Isabel.

Em 2018, Geraldo Correia foi homenageado no 2º Encontro de Sanfoneiros e Tocadores de Fole de Oito Baixos, em Campina Grande.  Entre as homenagens esteve Zé Calixto e toda a família dos Calixto, além dos sanfoneiros Manoel Tambor e Cabral.

O Encontro almejou, ainda, difundir e aliar a música da sanfona e do fole de oito baixos aos eventos culturais em toda região da Paraíba, destacando-as como das mais importantes atividades culturais do Brasil.
 

 

Redação redeGN Foto Acervo jornalista Ney Vital