RedeGN - Artigo - Pandemia: Receita por Decreto?

Artigo - Pandemia: Receita por Decreto?

Nada mais dramático e doloroso quanto ouvir o pranto de dor de centenas ou até milhares de pessoas, em portas de Hospitais, clamando pela morte de seus entes queridos acometidos do coronavírus, às vezes pela falta de atendimento por indisponibilidade de espaços nas Unidades, fato que atormenta aos bravos médicos e enfermeiros por se sentirem impotentes para socorrer a todos.

E o que é mais trágico em todo esse cenário, é ver alguns morrerem sobre as macas nos corredores de espera dos Hospitais, assim como é desumano os familiares apenas receberem a informação das mortes nas UTIs, sem qualquer possibilidade de acesso para uma última visão e identificação do corpo inerte!

Para um país que vivia dos encantos de não ser alvo de periódicas tragédias naturais, o que vem acontecendo atualmente exibe para o mundo o nosso despreparo para enfrentar as calamidades. O fato irrefutável de que a presença do vírus aqui é uma realidade concreta, está nos números que já integram a triste estatística mundial e que nos colocaram na caótica posição de SEGUNDO LUGAR entre as nações, com a morte já registrada de 21.116 brasileiros, em 22/05/20. Isso não parece impressionar a certos políticos nacionais que estão na disputa de palanque e espaço nos noticiários televisivos. A esses energúmenos nosso nojo e desprezo em saber que eles existem!

Ao invés de se unirem pelo Brasil buscando as saídas médicas em defesa da vida dos brasileiros, o que mais se assiste é uma batalha de palavreados impróprios para a conjuntura em que vivemos. Como exemplo disso, ao longo da semana o Presidente da República fez piada com a crise, ao declarar que “quem é de Direita toma Cloroquina, quem é de Esquerda toma tubaína”! O pior é que ao final do trocadilho, adicionou um “entendeu?”, de duvidoso duplo sentido!

De outra parte, quebrando um silêncio que não deveria, o ilustre mito petista Lula da Silva, também lança ao ar uma pérola da insensatez: “Ainda bem que a natureza criou esse monstro chamado coronavírus. Porque esse monstro está permitindo que os cegos comecem a enxergar, que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises”. E como prova de que é um bom aluno, imitou o Bolsonaro e, em seguida, pediu desculpas pela infeliz e inoportuna frase. Ambos estão a desrespeitar os mortos e suas famílias!

É um direito inalienável do Chefe de Governo formar a sua equipe de trabalho, bem como a seu critério exonerar e substituir na hora que desejar. O que é difícil de compreender, é que caiam dois Ministros, médicos, em curto espaço de tempo, num Ministério como o da Saúde, assume o substituto que é militar e logo convoca 13 (!) outros militares para os cargos técnicos de Assessoria! Com todo respeito aos dignos militares convocados, não me parece as pessoas certas para os lugares certos!

Já que a vacina contra o vírus demanda tempo de pesquisa, é óbvio que existe uma evidente ansiedade na busca de algum medicamento que possa representar a salvação para milhões de infectados no mundo. A insistente opção do governo pela Hidroxicloroquina e a Cloroquina, embora tenha o apoio de alguns renomados Infectologistas e Epidemiologistas, que defendem a eficácia contra o vírus, há outros tantos de semelhante graduação que se opõem dizendo haver efeitos colaterais e não recomendam o seu uso. A propósito, oito importantes entidades médicas nacionais se manifestaram contrários à utilização desses produtos para essa finalidade. É relevante destacar que esses medicamentos podem até curar - ou não curar -, mas já derrubaram dois Ministros! Ao menos, para isso servem.

Ora, onde está a razoabilidade de um Presidente leigo na área médica, pretender liberar o remédio salvador de vidas, mas, antes do uso os pacientes ou seus responsáveis têm de assinar um Termo de Responsabilidade, reconhecendo os riscos e efeitos colaterais envolvidos? Certamente porque, segundo a área médica, ele pode provocar: “disfunção grave de órgãos, ao prolongamento da internação, à incapacidade temporária ou permanente, e até o óbito”! Tem a conotação de um ato egocêntrico e estritamente político-vaidoso!  

Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Salvador – BA.