RedeGN - Artigo – Os vírus que matam!

Artigo – Os vírus que matam!

O mundo vive uma experiência catastrófica e de dimensão inusitada, cujo inimigo silencioso e mortal supera tudo o que se possa imaginar sobre a face da terra. As grandes potências tanto se orgulham de suas modernas armas de guerra e dos seus mísseis aptos a percorrerem grandes distâncias para matar povos inocentes, que nas datas magnas nacionais, com pompa e circunstância, desfilam em suas avenidas os equipamentos bélicos ou lançam ao mar as suas frotas navais de guerra.

Com isso alimentam os anseios egoístas de pura ostentação e intimidação dos pretensos inimigos. Mas, inesperadamente surge, não se sabe de onde, um desconhecido chamado de COVID-19 e, então, as potências chegam à triste constatação de que são incapazes de combater e destruir um simples vírus que, ameaçadoramente, está a um palmo do nariz dos seus líderes... 

Supostamente fortes, são hábeis em ameaçar as nações mais fracas, as quais tem os seus territórios às vezes invadidos, e o seu povo subjugado e humilhado, quando não submetidos à força do poder econômico. Sobre o inimigo devastador que aí está, sequer conhecem o seu DNA, ou estão habilitados a disponibilizar uma vacina em curtíssimo prazo, que defenda a vida de milhões de pessoas em todo o mundo. É impressionante verificar que os poderosos de ontem, hoje se humilham pedindo “pelo amor de Deus me vendam máscaras e respiradores”! E assistem impotentes ao desaparecimento de milhares de patrícios. E aqui cabe lembrar: “Não confie em ninguém, porque até sua sombra te abandona, quando você está na escuridão” (Leocádio Francisco).

O Isolamento Social, é uma solução indesejada, mas eficaz. Com a diminuição da movimentação pelas ruas, redução das atividades econômicas, o sumiço dos carros que saíram das ruas e os aviões que tiveram os seus voos cancelados, resultou na consequência positiva da queda da poluição, e as emissões de gases de efeito estufa caíram consideravelmente. Só em Nova York a queda da emissão de monóxido de carbono foi de 50%.

Nesse cenário de dor e angústia que abala os sentimentos das pessoas, a estatística nesse sábado já totalizou o triste número de 1.600.000 de infectados e 100.000 de vidas perdidas no Mundo, e no Brasil 19.943 e 1.074, respectivamente. Mais triste, ainda, é registrar que na Itália 102 médicos morreram infectados pelo vírus!

É impressionante o aspecto de abandono nas ruas das principais cidades em todos os Continentes, o que significa o recolhimento temporário de todos aos seus lares e assim estimulando o estreitamento das relações entre pais, filhos e avós. O ambiente familiar passa a ser propício aos comentários e reflexões de toda ordem e assim pude ouvir do meu filho o comentário: “o aspecto desértico das cidades lembra um filme de ficção”! A sua filha e minha neta de 10 anos, ouve a conversa sobre a tragédia e solta essa pérola: “Surreal, Vô”! 

Uma tragédia dessa relevância projeta do íntimo de cada cidadão, um natural espírito de mais amor e solidariedade, mais compreensão e vontade de servir aos atingidos e familiares. Nesse contexto merece enaltecer o desempenho humano e carinhoso dos Médicos, Enfermeiros e Servidores hospitalares, submetidos ao risco de morte, como já aconteceu na Itália: 92 médicos e 26 Enfermeiros morreram pelo contágio irreversível! Merecem, todos esses profissionais, o fraternal abraço pessoal ou virtual de cada cidadão desse nosso Mundo! Palmas para eles!

Meu propósito era não contaminar o texto com qualquer enfoque político e apenas fazer uma reflexão sobre o drama do momento, causado pelo COVID-19. Mas, não poderia passar incólume a ridícula atitude do Ministro da Educação, Abraham Weintraub, utilizando o seu Twitter para usar linguagem infantil e debochada contra o povo chinês, o que provocou imediata reação do Embaixador da China.

Por ser hoje um grande parceiro comercial do Brasil, o fato evidenciou um baixo nível na relação diplomática com uma Nação recentemente visitada pelo Presidente Bolsonaro, que ao voltar declarou: "a China cada vez mais faz parte do futuro do Brasil". Não repreender o Ministro e também o seu filho Eduardo Bolsonaro por semelhante gesto dias atrás, pelo despreparo e insensatez de ambos, foi uma omissão intolerável da Presidência. 

Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público - Aposentado do Banco do Brasil – Salvador – BA.